A TRAVBTT 2015 pelos olhos do amigo Tobias

Dia 26, sábado, pelas 07:15 h a avenida da C. Gorda começou a movimentar-se. Com olhos de sono e sorriso na boca o pessoal foi direito a azafama do costume, rodas, bikes, mantas, sacos, colchões, tudo em reboliço espalhado pelo chão.
Iria começar mais uma travessia BTT a cargo da Secção de BTT e Cicloturismo do Ferrobico. Tarefas distribuídas por todo o pessoal de apoio: João Paulo (pai e filho), Filipe Ferreira, Rui, Luis, Nuno, Vania e a minha pessoa, prontos para ajudar e para um fim de semana com garantia de qualidade, com boa disposição e muita alegria.
Cerca das 9:00 h deixamos a aldeia anfitriã rumo a Salvada, Quintos e depois Serpa. Entre Quintos e Serpa por estradões com bom piso, paisagens peculiares e lindíssimas. Estavamos perto do Guadiana e em sentido contrário fomos cruzando motards TT o que deu uma movimentação interessante à linda monotonia alentejana. Um motard parou e pediu-me um cigarro. Era de perto de Viseu. Deu duas passas na cena, virou-para mim e disse: “vocês vivem no paraiso”. Tal era a beleza e o sossego que ele via e sentia apesar do barulho da 600cv. Fiquei contente, fiquei com o contacto e mais um amigo.
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Em Serpa junto ao Lidl teve lugar o 1º abastecenturaimento desta linda aventura. Na paragem, dum lado jorravam minis, vinho, chouriço, queijo e pão, doutro bolos, fruta, água e sumos. Daqui tudo partiu rumo ao Pomarão com paragem pensada na Mina de S. Domingos. Uns por estrada, outros por trilhos. Previa-se uma paragem na Mina mas derivado a uma falha de tracks e gps, alheia à organização, não foi possível. Pessoalmente fiquei triste pois era um local fantástico para tirar umas fotos fixes com fundo de água.

 

Foi 1:30 h ao sol na companhia do meu lindo e pequeno amigo Tomás, filho do Luis Porfirio, participante. A malta do pedal aqui com muitos kms também ia um pouco triste. A água escasseava ao mesmo tempo que o calor aumentava. Nada de grave, fomos todos rumo ao Pomarão. Espanha era já ali.

 

Este lugar, este sitio, tem um não sei quê de mistério. O silêncio incomoda de forma positiva. Não só o silêncio mas também a paz, o sossego entre a quietude das águas e o lindo azul do céu. O João Paulo riu-se, olhou para mim e disse-me: “eu era feliz aqui com um colchão e uma cana de pesca”. O grelhador queimava o carvanito, o fumo pairava e a carninha esperava. Ao lado, no gelo, tudo se refrescava. Perto os papossecos, já abertos, esperavam pelo enchimento. Tudo pronto para encher as peles.

 

Mediante a silenciosa e agradável monotonia fomos aguardando pela maralha pedalante, bebendo e comendo. Pouco tempo passado chegaram os atores do filme. Desarrumados, como sempre, cada coisa para seu lado. Enfim, leveza e desafogo e deposito atestado. Poucos kms a faltar para o final do 1º dia mas durinhos, dentro de Espanha, até Alcoutim. Tudo a correr de forma magnifica com amizade e alegria.
Com a fronteira a separar-nos e algum tempo de folga abrimos os olhos de outra forma. A partir daqui o Guadiana transforma-se. Ganha esplendor, alarga-se, afunda-se ao meio e reflete cores em dias de sol. Mas deixamos corrê-lo com encontro marcado para uns kms mais além.

 

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Sanlúcar frente a Alcoutim fica no fundo daqueles dois penedos, branquinha e em certos dias azulada pelo reflexo do sol na água. No lado de cá Alcoutim e nós esperando o pessoal. Chegaram, do lado de lá e nós esperando do lado de cá. Várias passagens de barco, umas chapas. Banhos e rumo ao “Resort” de seu nome “Guadiana River Hotel”, infelizmente desarrumado, sem mobília, mas com condições boas. Eram 8 horas e fomos caminhando para o Restaurante O Rio nas bordas de Alcoutim e local visualmente aprazível.
Jogava o Benfica e depois o Sporting. Resultados diferentes para uns tristes e outras contentes. Depois do repasto lá fomos para o nosso resort. A partir daqui foi uma fase má para mim. Sem saber como desloquei um osso da clavícula e apesar do sono ganhei as mesmas, não dormi. No dia seguinte, domingo, voltou aquela barafunda habitual, sacos, bikes, pomadas e drogas eheheh. Do resort fomos caminho do restaurante da noite anterior para tomar pequeno almoço, bem servido sem duvida. Eram 08:30h. No cimo comtemplamos uma névoa linda sobre o Guadiana. O reflexo de um sol escondido cruzava-se nas águas com outro que ameaçava aparecer. Naquela hora é muito lindo. Sanlúcar prima pela brancura.

 

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Viramos costas, com pena, e fomos mais para sul com destino ao Azinhal e Vila Real com 50 kms para pedalar e 48 para conduzir. Os meus colegas foram por um lado e eu optei por acompanhar o rio, tinha tempo. É um caminho interessante, falamos com o rio se estivermos prontos para isso. De um lado vemos escarpas e montes; do outro a plenitude de um rio, largo,calmo,sereno e muito lindo. Lembrei-me do João Paulo, eheh…. “com uma cana de pesca e um colchão eu vivia feliz aqui”! Dei corda aos sapatinhos e guita a Peugeot e fui para o Azinhal pois os meus companheiros tinham feito fuga e batota.

 

 

Aqui tudo foi rápido, a chegada era já ali, bem perto. Chegados a Vila Real St António, banhos, arrumos e restaurante. “Os Arcos” de seu nome. Comeu-se, bebeu-se, rimos, brincamos, fomos felizes, amigos. A habitual entrega de lembranças. Não queria mas chorei outra vez. No fim, com o peso de todas as emoções vergamos.

 

Obrigado Secção de BTT e Cicloturismo do Ferrobico.
Obgrigado Vitor Crispim. Obrigado António Plácido. E, por último, obrigado a todos.

 

Tobias

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